domingo, 28 de março de 2010




Imagina-se que a felicidade plena e o sentimento de realização são alcançados na conquista de um bom emprego, na conclusão dos estudos, no privilégio de ser sorteado na loteria, no sucesso de um romance ou na tão esperada chegada da maioridade e com ela todos os benefícios e responsabilidades. Imagina-se que para viver bem é preciso morar, vestir e aparentemente sempre bem estar. Imagina-se também que um bom corpo revela uma boa saúde. Que um belo carro revela poder. Que a profissão revela a dedicação. Que o modo de pensar revela a forma de agir. Que as fortes amizades nunca irão partir. Que os pais podem até se decepcionar, mas nunca nos abandonar. Que o seu namorado não vai te trair. Que as férias vão sempre nos distrair. Que o dia da colheita sempre demora a chegar. Que remédios vão nos fazer melhorar. Que a educação é o segredo da boa convivência. Mas que o desrespeito pode trazer graves consequências. Imagina-se que no olhar transmitimos todos os pensamentos. Que um belo momento nunca cai no esquecimento. Que a simplicidade nos enriquece, nos deixa cheios de bons sentimentos. Que as perguntas nem sempre tem respostas. Que coincidências existem. Que surpresas nem sempre são surpreendentes.

Imagina-se que racismo é crueldade e democracia reflete as opiniões em sua pluralidade. Que se preservarmos o ambiente nossos filhos conhecerão uma rica diversidade. Imagina-se que nossos filhos não terão filhos. Que xenofobia também é exclusão. Que a violência é fruto da rejeição. Que bons exemplos devem ser seguidos. Que a perseverança é a chave do progresso. Mas a insistência deve caminhar ao lado do bom senso. Imagina-se que “e-mails” jamais terão o poder de substituir uma carta. Que atração está mais ligada à beleza e à conquista. Que quem é do inverno se perde no verão. Que as fotografias revelam sempre os bons momentos. É que o intervalo entre cada fato é o tempo necessário para sofrer, lutar e vencer as dificuldades. Imagina-se que os programas sensacionalistas tem maior audiência. Que comer “fast foods” nos prejudica, se for com frequência. Que quando se faz uma boa ação não se espera recompensa. Que cachorros são leais e gatos são interesseiros. Que precisamos de diversão, mas não o dia inteiro. Que um diálogo vale mais que uma atitude de desespero. Que há como ser feliz sem esbanjar dinheiro. Que cantar alivia a alma e os que estão ao redor sentem a calma.

Imagina-se que se expressar é um desafio. Que para seguir um ritmo é preciso coordenação. Que um sorriso sutil merece atenção. Que aniversários vem e vão, e a idade nos prende às formalidades. Que nos casamos por afeição e com comprometimento, e não por impulso ou compaixão. Imagina-se que perdoar é ser forte. Que a deficiência no coração reflete uma sociedade com má formação. Que entrar na universidade reflete maturidade. Que as músicas que ouvimos fazem parte da personalidade. Imaginamos, deduzimos e inventamos tudo, sempre. Mas seria alguém capaz de renunciar o seu tempo para dedicar-se ao agradecimento? Por mais imagináveis e existentes que sejam as coisas, nem tudo é real. Nesse mundo passageiro em que o poder e a boa fama são protagonistas de uma novela temporária, o que realmente deveria ser valorizado torna-se um objeto sem valor material. Aqui vai a crítica, aqui fica o protesto. Se você não acredita dificilmente terá sucesso.

Imagina-se que a religião está ligada à crença. Que seus familiares nem sempre parecem ter o mesmo sangue. Que algumas pessoas nos fazem felizes apenas com sua presença. Para entender não é preciso ver e muito menos aceitar: ela, sem pedir licença para entrar, vai crescendo em sua vida, crescendo com você. Independente de todas as suas imaginações e de todas as suas expectativas ela te fortalecerá, se deixar a porta aberta, sutilmente vai entrar. Na sua humilde grandiosidade ela nos faz enxergar o invisível, abraçar o impossível, não ter medo do imprevisível. Muitos nunca sentiram, outros desistiram de regá-la. Triste. Se ela pudesse mais fortemente se manifestar... e se manifesta. Mas poderia assustar. Independente do que precisa, ela te permite sonhar. Independente do seu sonho, ela te permite planejar. Independente dos imprevistos, ela te faz se adaptar. Sei que em mim ela é inabalável. Ela é a ponte, a estrada, o caminho que nos leva ao Império, ao ponto fraco do Sultão. Posso às vezes fraquejar, mas em minha vida ela vai sempre reinar.


Ana Carolina Chin

quarta-feira, 17 de março de 2010

Epitáfio...



Quando Perguntarem, em que tempo eu vivi...
Digam que eu vivi num período áureo deste lugar...
Digam que eu vivi quando um historiador baixinho colocava todos a gritar como loucos...
Digam que copiei sua saudação...
Digam que eu vivi num tempo em que advogados pirados tocavam Elvis antes de transmitir conhecimento...
Digam que eu vivi num período em que nos questionávamos se sim... Ou... não-sim!
Numa época em que O Coito não era lido por nada...
E que arrotar ou chamar os filhos das damas da vida para aula era normal...
Se a gente “sêsse” da concorrência... “nois errava”... “mas como nois num sêmo...”
Era um “Boa tarde aí”... Era uma piada referente a raios e trovões, digo... diâmetros...
Digam que vivi numa época em que todos ouviam um matemático ficar sem voz para saudar a todos...
Quando perguntarem, digam que naquele tempo, cantávamos ao som de madeira...
Digam que naquele tempo, matemática era ensinada com comida de feira...
Naquela época, não importava o que acontecia... acreditávamos...
Digam que convivi com os maiores...
Digam que aprendi com os melhores...
Digam que eu nasci quando duas estrelas azuis brilharam nos céus...
Digam que morri quando seu brilho acabou...



Jedielson Nakonieczni

segunda-feira, 15 de março de 2010

Faça




Faça hoje, faça amanhã, faça aqui ou lá, mas faça com paixão e do seu próprio jeito. Ouse.

Math

domingo, 14 de março de 2010

Aprazível






Em tempos de guerra o que melhor seria?
Esperar o tempo passar em uma triste monotonia
Ou esquecer as preocupações com as mais belas companhias
E com precaução nos divertir em uma trilha?

Um paraíso que nos revela a imensidão
Descobrir do topo do morro uma linda visão
Enfrentar minha insignificância, sem descrição
Nesse mundo de diferenças, indiferenças; lá não há divisão.

Paraíso modesto; perdido na reflexão fico só a observar
No universo infinito da Natureza até consigo mergulhar
A você faço um convite, já que não vivenciei melhor aventura
A menos que me proporcione outra saudável aventura.


(Ana Carolina Chin)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu lembro de você






Quando eu penso em você, tudo começa a florescer
E na minha cabeça, vem sempre a mesma lembrança
Tudo que se foi, tudo que passamos juntos
Vai ficar pra sempre, na minha memória.

Eu lembro de você, você me faz querer
Me faz querer viver, tudo aquilo que já foi
E eu me lembro, daquele seu olhar
Que me fazia, por dias viajar

Toda vez ,que eu tento te esquecer
Eu olho para trás e lembro de você
Porque as coisas, tem que ser assim
Tudo é tão fácil e difícil pra mim

Eu lembro de você, você me faz querer
Me faz querer viver, tudo aquilo que já foi
E eu me lembro, daquele seu olhar
Que me fazia, por dias viajar

Ás vezes nada mais tem sentido
Eu não sei o que acontece comigo
Faria tudo pra ti ter
Porque a minha vida é você




E
É você



Felipe Pistori Tomazetti

Ao seu lado




Às vezes me pergunto, para onde ir?
Existe lugar no mundo que alguém me faça sorrir?
Mas só quando estou olhando para o céu ali parado
Vejo que tudo que eu preciso é estar ao seu lado.

Felipe Pistori Tomazetti

sexta-feira, 5 de março de 2010

Feliz aniversário









Venha, meu bem, vamos ver o pôr-do-sol. Pra eu te dizer: Feliz aniversário!





segunda-feira, 1 de março de 2010

Garota das nuvens




Quando olha para cima
A alegria contagia,
Alegria de criança
Traz também a esperança

De que as nuvens durem
E não se misturem
Com as feitas aqui em baixo,
Que as fazem chorar ácido

Busca lugares altos
Esperando compensar com saltos
A distância que a separa
Daquela com formato de arara

Deseja abraçá-la mesmo que não dê,
Mas sabe que a nuvem a abraça
Quando desce se chamando Neblina.
Abraça ela e seu Ipê.


Desenho e Poema: Rogério Andrade

Bem-te-vi




Ao ver este bem-te-vi,
lembro-me dos parques, das tardes,
onde primeiro te vi;
o teu olhar, nunca esqueci.

Como voa sozinho,
sem olhar para trás;
que falta que você me faz.

Voa, neste céu azul,
que já foi da primavera;
veja, a solidão que me espera.

Vai, sem se preocupar,
se um dia vai ter que voltar...
E meu coração vai com ela:
Adeus, Emanuelle.


Klaus Udo Froese Matos