segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Descobertas



          

          Não há nada mais inseguro que a certeza de viver. Mas essa já é uma teoria que não posso comprovar, pois tenho lá minhas dúvidas, fraquezas e experiências que não me permitem usar uma bússola que aponte exatamente para a direção certa a se seguir. Bom, nada disso faz sentido também, porque quanto mais se luta para alcançar os sonhos e objetivos, mais sonhos e objetivos se têm, aliás, maiores são os obstáculos também. Ainda assim, sempre temos o humilde e até instigante desejo de saborear as novidades do mundo com a mesma expressão maravilhada com que uma criança descobre seu poder de tato!
                 A partir desse momento surgem as dúvidas, as renúncias, os combates internos. Afinal, a criança deixa de ser infantil e ingênua conforme suas descobertas tornam-se incessantes, viciantes, tranquilizadoras até. E quão maravilhoso é o momento do descobrimento. Adrenalina, sentimento de competência. O sangue parece querer saltar das veias, momento substancial. Momento seu. Invento. Sorriso tímido e incontido, olhos atentos. Coração descompassado, turbulento. Consequências das pequenas descobertas, das grandes descobertas. Descobrimento de uma música, de um defeito próprio, de um gosto antes irrelevante. A insegurança sempre está presente, mas o nível agora perto da linha do zero. É a descoberta de uma banda, do preço acessível daquele instrumento tão desejado, de uma língua estrangeira.
              Fraquezas são esquecidas, por um instante. Prevalecem os sentimentos isentos de desalento. Tudo por causa da descoberta de um novo caminho, uma direção, um rumo em que não estaremos sozinhos. Tudo por causa da descoberta de um novo amigo, ou da redescoberta de um velho amigo! As experiências vividas já não são suficientes, não completam as exigências do futuro, do agora. O céu cinzento se deixa levar pela dança das nuvens. É a descoberta do arco-íris, das fontes e trilhas secretas. O coração bate forte, é o melhor momento da canção e os olhos lentamente se fecham para melhor absorver a melodia, o sonho começa. É tarde e o sol começa a se pôr, é a descoberta de um sentimento rico, complexo e renovador. Sem nome, sem sobrenome, só sentimento. O campo todo decorado com árvores e pequenas flores coloridas, agora se perde na escuridão da noite iluminado pela beleza da lua cheia, os olhos se abrem, mas ainda se sonha. É o descobrimento de um mundo ilusionista, incompreensível e que não espera seu retorno, a queda foi sua. Levante, é a força da realidade.  



Texto: Ana Carolina Chin  (26/08/2010)
Fotografias: Felipe Santana Pereira

domingo, 26 de setembro de 2010

Essencialidades

Durante todo o dia são as pequenas coisas que mais me fazem falta. Sinto saudade do cheiro que fica depois da chuva, sinto saudade do tempo em que olhares falavam pelas palavras mal pronunciadas, tamanho era o nervosismo. Sinto falta do orvalho embelezando as manhãs de inverno. Sinto falta de gestos e gentilezas. Sonhos pequenos, realizáveis. Todo dia sinto a falta de um abraço de verdade, sem pretensões, cheio de um sentimento real, que existe e que seja recíproco. Sinto saudade de comer frutas. Saudades de me divertir de verdade, com pessoas de verdade, com sorrisos verdadeiros. Sinto falta de alguns familiares, aqueles que não pude ter, não pude conviver. Sinto saudades de soltar pipa, de pular tábua, de ser o exemplo na escola. Sinto saudades de quando era bem recebido, bem visto, bem acompanhado, e na presença de dificuldades era imediatamente interpretado, confortado.


Nos dias azuis com poucas nuvens, esses dias, embora muito inspiradores, sinto falta de uma inspiração, de um compartilhamento qualquer que seja, frases, risos ou silêncio para agradecer tamanha beleza natural. Nos dias chuvosos é a falta de um guarda chuva real minha grande tristeza, daqueles que resistem a qualquer tempestade, prontos para sofrer por mim a queda de granizos e me guardar de um futuro resfriado. Nesses dias é a falta de um chá quente com um bom filme minha maior falta, ou então um belo banho de chuva sem a preocupação com o depois, com os problemas, com as próximas responsabilidades. É justamente o esquecimento de todas minhas preocupações que sinto falta. Todos os dias tenho saudade de assistir o pôr-do-sol sentado em uma montanha ouvindo o silêncio confortante da despedida do sol. Sei que ele voltará, especialmente para mim, para me rever.

Sinto falta dos interesses sinceros e inocentes, das mensagens de bom dia ou de um bilhete surpresa guardado no meio das folhas de um livro. Nos dias frios, é a frieza dos corações que gostaria de ver longe, longe do meu caminho. É a minha estação e, contudo, não pareço estar satisfeito com esse cenário, é a falta de alguém, de um cachecol, de uma árvore sem folhas, da delicadeza de um rouxinol. Sinto falta do balanço amarrado num galho alto de uma árvore, daquelas em que se podia subir e ficar por horas a fio comendo os seus frutos. Nos dias difíceis sinto falta daquela companhia insubstituível que não fica perguntando sobre mim ou qual a causa da minha expressão triste e sonolenta. Nesses dias a maior falta é daquele ser indescritível que faz de tudo para alegrar o dia, com brincadeiras inimagináveis e ao mesmo tempo filosoficamente morais e animadoras. Tenho saudades das cartas, das escritas, da minha criatividade. Tenho sentido falta das mudanças construtivas, de casais menos dependentes, com vida própria, equilibrados.

Sinto falta da minha velha bicicleta pequena e rosa, sinto falta das minhas aventuras com ela. A maior parte do dia o que me faz falta é uma presença entre um milhão de ausências. E para tentar esquecer ou recompensar tamanha falta, é preciso culpar outros tipos de necessidade, falta involuntária. Sinto falta do tempo em que todas as roupas eram confortáveis e suficientes. Sinto falta de ouvir músicas com letras reais, inspiradoras, perceptivas. Aliás, uma das maiores faltas do meu dia-a-dia é encontrar um olhar atento, perceptivo como o meu. Não para grandes feitos, não para grandes qualidades. Mas um olhar atento para o que vem do pouco, do delicado, do menos, da boa intenção, do gesto original. Sinto falta de alguém que sinta essa falta. Sinto saudades de sentir meu coração acelerado por bons motivos, novidades de encanto, fortaleza negociável. Sinto falta de um bom sorvete com cinco sabores e camada dupla de chocolate, chantilly e amendoim.

Sinto saudades das respostas fáceis, das resoluções para os grandes questionamentos. Sinto falta de quando tinha vontade de escrever e escrevia, mesmo que fosse um rascunho ilegível e completamente fora de publicação. Tenho saudades de beber água gelada no meio da madrugada, de ler livros e mais livros. Sinto falta de quando as pessoas não sentem falta de nada, vivem como se a vida fosse uma passarela, acenam e na verdade estão vazios por dentro. Não mais se questionam, não mais se desafiam, não mais pesam suas atitudes, não se doam ao próximo, não medem suas construções ou quem ficou embaixo delas, para elas o importante é que estejam bem altas e firmes. Sinto falta de um colchão que não me faça acordar como se tivesse sido espancado durante toda noite. Sinto saudades de sentir coragem. Sinto saudades de fazer pessoas sorrirem, seja por um tropeço meu no chão, no ar, no pensamento ou por uma daquelas caretas espontâneas, marcas registradas. É essa minha maior falta, a espontaneidade! A minha, a dos outros, a do mundo inteiro. A verdade é que tenho sentido minha falta, sua falta, falta da minha fé. Tenho sentido falta daquela alma discreta, calma, reflexiva, leve, cooperativa. Se a encontrar, por gentileza me avise, irei correndo buscar! Pois, na imensidão desse lugar não há nada mais importante e que você vá sentir mais falta do que de você mesmo, de quem costumava ser, de quem você é, das coisas que te fazem crescer. Portanto, antes ainda de ver, assumir, conviver, evoluir e despertar preciso me achar. Assim que estiver pronto minhas faltas passarão a ser as suas também. Não há mais necessidade de caminhar sozinho, pois, o que mais sinto falta nessa vida é a elegância dos momentos particulares. É o convite para ser parte de outra vida.



Texto: Ana Carolina Chin 
Fotografias: Paloma Dias - Gessica Rocha

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ela

Ela sonhava em encontrar, esperava ser compreendida sem se explicar. Só queria deitar na grama e olhar para o céu. Contemplava agora o pôr- do- sol, estava triste.

Indagava-se sobre sua existência, mesmo sabendo que ficaria louca. Sim, ela era um agente; se descobriu, era o seu fim.
- Não sei, apenas sinto.
As flores que via, já não eram como antes, nem o batom vermelho.
-Não sei, apenas sinto - repetiu. Isso era forte.
-Por quê? Por quê?- se indagava.
Era mais forte que ela, não poderia evitar. Ou poderia? Não queria.
-Como era boba – pensava. Para que querer ver além do que não existe?
Nada era real, tudo não passava de ilusão, doce ilusão passageira. Em nada acreditava, mas se iludia, era o seu fim. Ela era um paradoxo, não podia se esconder atrás de seus grandes olhos.
Por que palavras a tocavam tanto?
Aquele cubista foi o vento. O vento que mudou a flor.

-Pare, pare com isso, não saber era a sua continuação. São essas borboletas que percorrem a sua mente. Isso a destrói, isso a liberta.


Texto: Gessica Rocha

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Lembranças

Ali, sentada num banco úmido ela se pergunta:
- será que foi um sonho? Será que estive dormindo durante todo esse tempo, e, agora, acordei?
Não
Não.
Não fora sonho
Ela queria acreditar que fora um sonho, mas eu sei que não foi.
As gotas de chuva em seu rosto não poderiam trazer lembranças de sonhos...
A lembrança de uma tarde e que guarda-chuvas foram ignorados e a mágica aconteceu sob a chuva.
Sim, foi real. Ela não sonhara.
E por mais que ela negasse a si mesma que tudo não passava de um sonho, no fundo ela também sabia - assim como eu - que fora real. Todas as suas lembranças.






Haverá um dia em que todas estas coisas serão apenas lembranças. Lembranças que misturaram-se a sonhos e que tornaram-se impossíveis de distinguir o sonho da lembrança.


Textos: Fran Canestraro
Fotografia: Renan Coelho

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O que é amar?


Amar é sorrir ao ouvir tolas palavras saídas dos lábios da pessoa amada.
É acreditar que só se é feliz ao lado dela, e mais nada.
É sentir o corpo quente mesmo quando uma nevasca congela o mundo lá fora.
É bradar que nunca ninguém se amou ou amar-se-á, o amor só existe agora.
Amar é sentir mil facas penetrarem o coração quando se está longe dela.
É poder fugir para onde quiser, mas se sentir preso em uma cela.
É sentir o coração palpitar e a respiração acelerar toda vez que eu ouço o seu nome.
É poder saciar-se com todo o pão, mas preferir sofrer com a fome.
Amar é saber que viveria por ela e não hesitaria em morrer por sua vida.
É recordar de versos de amor escritos em uma página jamais lida.
É desejar beijá-la mesmo quando se sabe que será repelido.
É imaginar como seria feliz ao seu lado, mesmo isso nunca tendo acontecido.

Mas estou só. Melhor dizendo, estou com muitas pessoas, mas o amor delas não pode se manisfestar de modo que possamos nos entender. Então prefiro aceitar a minha solidão: se procurar fugir dela neste momento, jamais tornarei a me encontrar. Se aceitá-la ao invés de ficar lutando contra ela talvez as coisas mudem. Vi que a solidão é mais forte quando tentamos confrontar com ela - mas torna-se mais fraca quando simplesmente a ignoramos.

Texto: Andressa Mendonça - 07/02/2009

A beleza calada


Pela manhã, um tanto quanto cansado e indisposto, ele levanta da cama. O café não é objeto de rotina, mas serve como uma forma de adiar suas tarefas e, consequentemente, o tempo. A leitura faz parte do cotidiano, se não antes, agora sim. Sente falta do silêncio, afinal desde que abre os olhos as vozes falam em sua mente, algumas autoritárias, exigentes; outras suaves e encorajadoras. Ele veste-se para mais um dia de incansável trabalho, quase sempre na calma da monotonia corre seu dia. No entanto, a maré mansa do cotidiano o faz se sentir, se não leve, ao menos centrado. A ideia de novo dia, nova oportunidade de contato com outros que não ele mesmo e suas vozes interiores, o faz sentir vivo, alegra-se, enfim. As poucas palavras trocadas no ambiente profissional são suficientes, nunca redundantes ou desperdiçadas.

Uma estagiária em especial chama sua atenção, justamente pelas atitudes não tendenciosas, pela descrição natural e visível, e pela beleza calada e uniforme; semelhante em todos os aspectos a ele próprio. Nunca conversaram, mas se comunicam e entendem-se muito bem diariamente. Sua insuportável, mas humilde insegurança impede uma possível aproximação. Os olhares trocados, propositalmente, manifestam real interesse da parte singela e feminina evidenciada no lado oposto da moeda. É o apogeu do seu sentimento de estar vivo.
A tarde chega e com ela sua volta para casa, sempre solitário, mas dialogando muito, com as vozes que insistem em dar opiniões sobre sua vida. Enquanto aguarda o transporte alcançar seu destino, mergulha nas páginas luminosas de livros, ou na ausência deles fixa o olhar para fora da janela, sua mente viaja pelo mundo e pelos seus desejos reprimidos por timidez dentro de si. Seu corpo assume o piloto automático. Em casa, finalmente, acaricia seu mais fiel companheiro, o qual também se comunica fluentemente bem e até recebe respostas muito carinhosas de seu singelo e semelhante parceiro de vida, o cachorro. Por ter se alimentado o suficiente durante o almoço, seu jantar não passa de pães, bolos ou cereais. Ele tira os sapatos, descansa por rápidos dez ou quinze minutos no sofá em frente à televisão, porém não presta atenção total nos telejornais. Levanta-se, vai até o quarto, muito bem organizado desde o momento em que acordou e o arrumou.

Gostava de ser perfeccionista, com tudo. Objetos, pessoas e atitudes estavam inclusas na lista da surreal perfeição tão sonhada. No banho desliga-se do mundo, do seu eu, das vozes. Antes de dormir a leitura reclama sua ausência, mesmo que de poucas horas. Junto aos romances pensa em seu futuro, não consegue. A mania da leitura pressupôs, desde muito cedo, o desejo inconsciente da escrita. Em sua mesa de trabalho procura por seus rascunhos, considera-se um escritor de gaveta, amador. Nunca teve coragem de publicar suas poucas obras, já que não escrevia com tanta frequência. Seus poemas e prosas, ao contrário dos livros que lia, já estavam acostumados; viviam das pausas do tal escrevinhador. Cansado e sonolento, o nobre rapaz deita-se na cama, mas não consegue dormir de imediato, as vozes ainda opinam. Sobre tudo, principalmente e mais especificamente sobre a tão admirável e semelhante estagiária, sabia seu nome mesmo que nunca o tivesse pronunciado. Ela e seu respectivo nome não saíam da sua cabeça. Quando percebe seu corpo remexer novamente já é dia, costuma acordar pouco tempo antes do despertador, uma das causas possíveis para tal acontecimento é seu instrumento mais usado, o perfeccionismo. As vozes voltam a falar, agora sobre seus deveres e atividades do mais novo dia que nasceu. Ele imagina se a estagiária também toma um café não rotineiro, mas logo se distrai, tem a certeza de que irá se comunicar com ela brevemente. Mais uma chance chegou de velha rotina mudar.


Texto: Ana Carolina Chin - 08/04/2010
Fotografia: Juliana de Oliveira

sexta-feira, 28 de maio de 2010

!iesneP

Hoje, em meio a uma das, agora constantes, crises existenciais ‘faculdade&eu’, pensei tanto, mas tanto. Pensei no porquê de estudar tantas coisas inúteis, pensei em tantos outros cursos mais interessantes, tantas coisas mais legais, pensei na alegria das pessoas que estudam sobre o belo, o encantador. Senti-me, mais uma vez, no curso errado, afinal eu só quero aprender a remover pedras e plantar flores mais coloridas mais vivas mais flores; pensei em outras faculdades, começar tudo de novo, aí, pensando em outras faculdades e em começar tudo de novo, pensei também em largar tudo e simplesmente viajar, jogar uma mochila nas costas e sair por aí.... sem destino, apenas com um propósito: conhecer mais um pedacinho do mundo. Ir pra Argentina falar espanhol e tirar algumas fotos, Passar no Chile e sentir a imponência e a beleza dos Andes, Tomar um café em alguma Praça de Cuzco, ir pro Uruguai, me deitar em uma praia, olhar a imensidão do céu e sentir ondas de águas cristalinas, pensar em como a vida é bela... e na próxima cidade, somente!Pensei mais seriamente em realmente fazer isso, e comecei a viajar nos meus pensamentos, nas cores desse mundo.
Pensei em largar tudo, de novo, e viver de arte... sair por aí fotografando tudo e todos, fotografar sentimentos, as coisas mais lindas, mais encantadoras, mais alma.
Cheguei em casa e escrevi tudo isso, mas agora me lembrei da prova de física, do projeto, ... e penso que minha crise está passando, o que me deixa um pouco triste, eu adoraria passar final de semana planejando minha viagem em busca do desconhecido, ansiosa com a minha Odisséia, mas, agora, me sinto a mais ignorantes (burrinha mesmo) dos seres, boiando nas exatas ao invés de estar boiando nas águas cristalinas de algum lugar mais interessante! Ainda não sei se por boair nas exatas ou por não estar boiando em outros lugares mais interessantes...



Um dia eu ainda junto todos esses pensamentos soltos e realmente saio por aí... sem rumo, sem medos, apenas seguindo meu coração, indo por onde tem mais sentimentos, mais alma, mais sorrisos.
:D



- a menina do blog.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Considerações




Sabe, tenho ficado tão preocupado com todas essas responsabilidades, todos esses problemas que aparecem nos nossos caminhos, que levam a algum lugar (que pensamos ser nosso destino ou, como queiram, nossos sonhos, que estão lá pra serem alcançados.). Vivemos sempre em busca disso, seja realização emocional, material, profissional, ou outros...
Às vezes ficamos tão, mas tão mergulhados nesse mundo de cumprir as metas que traçamos que, na iminência ou na grande probabilidade de falharmos no objetivo, ficamos desacreditados, tristes e sem nenhuma esperança.
Isso com certeza já aconteceu comigo, com você ou com qualquer outra pessoa, porém sempre, uma hora ou outra, nos levantamos. Os problemas passam. Novos surgem. Novas vontades surgem. Novas necessidades surgem. Novos problemas para chegar nelas surgirão novamente e o ciclo se reinicia.

Então me pergunto: Qual o sentido disso tudo? Depois lembro que querer acreditar que há um sentido em tudo é mais um traço da nossa característica de auto-preservação, porque se houver um sentido, haverá um depois e nosso instinto estará satisfeito. Então me pergunto novamente: Será que existe mesmo um sentido pra isso tudo? ... ... ...

Depois de pensar muito sobre isso, cheguei apenas a uma conclusão. Se existe mesmo algum sentido, nunca saberemos. Porém me deparei com o que melhor poderia ter tirado dessa lição... O melhor que sempre esteve na frente dos meus olhos e nunca havia realmente reparado:
- A parte mais importante das nossas vidas não é aonde chegaremos, ou quantas vezes vencemos ou perdemos, mas sim o tempo que você passou com as pessoas em volta de você... Horas ao seu lado, horas nas suas lembranças...
Todos morrem. Não importa se estas pessoas passaram um dia ou uma década perto de você ou na sua memória, mas para atravessar toda essa vida, nós precisamos delas e elas precisam de nós. Precisamos uns dos outros pra isso, para lembrar... e para esquecer também. Por isso estamos aqui... e continuaremos sempre seguindo em frente.


Renan Coelho

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Pontes




É incrível como são confusos e ao mesmo tempo decididamente precisos os caminhos que a vida nos faz seguir. Por vezes pensamos com maturidade, planejamos com responsabilidade e, no entanto, na hora da ação somos ingênuos, nos contradizemos. Assim somos esta é a limitação da humanidade. Por outro lado, algumas vezes nos surpreendemos com nossas próprias decisões não pensadas, instintivas, impulsivas e por que não desesperadas?! Somos traídos pelos sentidos que nos levam, sobretudo, a atitudes incontidas, guardadas inconscientemente. Sendo assim, somos vítimas de nossas próprias situações, somos o experimento da nossa descoberta, o resultado de uma indeterminação.
Já que há de se falar sobre os caminhos tomados pela vida, há de se mencionar também as pontes que nos mantêm neles. Estas que, não importa se o rumo é agradável, irrelevante ou opressor, elas estão sempre à disposição, subalternas às nossas escolhas, nos ligando, nos mantendo e por nós sobrevivendo. Como, pois, não focalizar toda a atenção aos relacionamentos, já que são estes os que fazem as pontes da vida, que nos levam aos caminhos e consequentemente às mudanças de postura?! Não entendo e paradoxalmente, compreendo, pois paralelamente vivencio. A partir do momento em que nossas atitudes atraem bons relacionamentos passamos a enxergar a essência do que é viver: ser um viajante com uma boa companhia é, sem dúvidas, melhor que ser um turista solitário.
Portanto, se no meu caminho houver apenas flores, bem viverei. Se, no entanto, houver pedregulhos a estes me dedicarei. Contudo, se no meu caminho houver pessoas, as mais variadas, a elas me adaptarei! Não é questão de influência ou diferença, mas de doação e necessidade. Se você tem uma família, se você tem amigos, se você namora, se você trabalha, se você tem um cachorro, se você tem uma alma, se você tem uma casa, se você caminha, se você tem gostos, se você estuda, se você tem manias, se você questiona, se você se permite, se você se protege, se você descansa, se você não desiste se na luta resiste e na dificuldade sempre persiste. Se você é humano, meu amigo, você se relaciona. Mesmo animais, objetos, natureza em geral, neles também há relacionamento. Vê como tudo gira em torno das relações?
Quando essa geração finalmente perceber a importância das nossas atitudes para traçarmos um caminho e, junto com outras pessoas enriquecermos por meio dos relacionamentos estas caminhadas, seremos completos. Não que ainda não sejamos, pois nascemos inteiros, portanto completos, mas quão indescritível é e sempre será o compartilhamento de tão bela plenitude. E se ainda existe o direito ao desejo quero evidenciar o mais utópico, porém consistente: a realização do dia em que não mais haverá hierarquia. Pois com ela nossos relacionamentos passam a ter validade, passam a ter leis e regras que devem ser seguidas e perdem seu real sentido. A hierarquia imposta como ditadura, sem escolhas, só aceitação é o motivo de existirem relacionamentos com início promissor, mas com desenvolvimento sem crescimento conjunto e recíproco; e com conclusões isentas de felicitações.
Nas relações não precisam existir divisões, níveis diferentes de importância, subordinação, patriotismo, humilhação. Qualquer que seja o relacionamento, de amizade, de negócios, casamento, coleguismo ou companheirismo, em todos o que prevalece é a doação. Se você não cria expectativas e sim prontidão, evitará desapontamentos e vai crescer o sentimento de compreensão alheia. Sendo assim, não haveria mais a tão desgastada hierarquia nos relacionamentos, já que eles existiriam por si só, sem qualquer camada de poder, sem nenhuma cadeia de comando. Já que se deve viver, assim quero caminhar. Quando passamos a compreender o real sentido de nossos relacionamentos interpessoais, a simples convivência torna-se um incrível acontecimento, a beleza do bem-estar dirige os pensamentos, os dias passam mais lentos!

Ana Carolina Chin

sexta-feira, 14 de maio de 2010

!



Eu vim pra ser feliz
e se é pra ser feliz, vou ser por completo.
Não me deixo pela metade.


Ana Caroline Mayrhofer

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A ela, Malu Ferrari!



Tu tens a graça de uma flor
Tu tens a leveza de um beija-flor
Tu tens a sensibilidade de quem ouve
E tens, além de tudo, um coração puro;
carregado de amor, amigos e vida vivida.
A felicidade que eu te desejo é a consequência do que és, muita!
Muitas primaveras, minha querida flor.

Que essa homenagem te sejas uma partícula daquilo TUDO que sentimos por ti.
[Oliveira, J.]

______________________________________


Poema sem título.

No fim do túnel vi escuridão,
Vi o tudo, vi o nada.
De repente, consegui ver apenas uma luz...
Uma luz azul.
Constatei que eram seus olhos
Seus olhos...
Olhos azuis!
Que surgiram por entre a escuridão
Iluminando o túnel.


Eu te amo!**
Minha coisinha!

[Francielle Canestraro]

______________________________________


"Teus olhos são meu encanto
tua voz soa-me como um canto
teu sorriso supera todo pranto.

Em teu olhar, tenho certeza
que não encontro só beleza
mas toda natureza.

Se tenho alegria,
é porque lembro do dia
em que vi teus olhos - quanta poesia!

E espero, com esperança,
que não terei, senão,
pela tua lembrança."

[Klaus Matos]

______________________________________

Minha malulinda, eu agradeço a Deus todos os dias por te ter como amiga, e sempre te ter por perto! Obrigada por todas as palavras, sorrisos, abraços, silêncios! *_* Você é a coisa mais linda da minha vida amor, mais tudinha! :D Desculpa por qualquer ofensa que fiz a você em qualquer momento ok? EU A AMO DEMAIS =) quero a sua amizade pra sempre!
Feliz Aniversário princesinha *-* Te desejo tudo do bom o do melhor! que todos os seus sonhos se realizem, que você continue sendo essa GRANDE pessoa!
TE AMO, Maluane Ferrari Silveira. ♥
Beijão
[Bia.]

______________________________________



Ooo menina bonitaaaaaa! ♫ ♪
Parabéns para você nesta data querida, muitas felicidades, muito anos de vida...=P
Colhendo mais uma rosa no jardim da vida em! hahah
Que Deus continue te iluminado sempre!
Beeijo
[Ayslan]

______________________________________



Minha Pequena,
Obrigada por ser em minha vida a grandiosidade de um oceano.
Obrigada por me tratar com o cuidado e atenção de um beija-flor que ressalta a beleza de um jardim.
Obrigada por me ouvir, ainda que meu canto não atraia o nascer do sol e sua presença seja finita.
Obrigada pelos sorrisos que me fazem enxergar a fortaleza existente dentro desse olhar de realeza.
Obrigada pelo apoio e companhia, estes que me sustentam a cada dia e, mesmo que discretamente, fazem com que eu me aproxime do céu de forma contida, mas sucessiva.
À esta amizade serei sempre fiel!
Obrigada por ser o mapa que me leva ao tesouro, você será sempre bem-vinda, pois sua generosidade é infinita!

Zhu ni sheng ri kuai le
[Feliz aniversário]

Wo ai ni Hao Kan'
Chin, 10/05/2010
______________________________________

" Minha malu, vc nao imagina o quanto eu gostaria de te dizer, porem me falta palavras. Saiba que vc é, e sempre será, minha melhor amiga!!
Para mim a amizade é pra ser cultivada, e é por isso que quero semear vc!!! hehehe

Nesta vida inteira vi muitas definições de "amigo"
nenhuma tão verdadeira quanto esta,
que tenho agora comigo.

Não foi uma definição escrita, lida, ou mesmo falada.
Foi sua atitude bonita, sem ter pedido nada.

Não poupou as palavras, ditas com sinceridade.
Foi leal, foi fiel, sem nenhuma maldade.
Abusou da franqueza dizendo o que achou que devia,
mas mantendo a fineza, que uma dama merecia.

Mostrou-me o caminho que eu não deveria tomar,
pois, como um pássaro cego, eu tentava voar.

Na profundidade desse seu gesto, pude compreender:
Você sabia muito mais de mim,
do que eu deveria saber.

E nesse seu ombro amigo eu pude, inteira, me apoiar.
Eu que só queria sua mão para segurar.

Para "amigo" não busco mais nenhuma definição,
porque carrego esse seu gesto bem
guardado no coração.

Te amo incondicionamente!!!!!!!! q Deus te abençoe muito neste dia!!!!!!!!! vc merece
FELIZ ANIVERSÁRIO!!!!!!
Muitos Beijos da sua MANU"

[Manu Miotto]

______________________________________



"Expresso aqui toda minha admiração,
por todo carinho e doçura
que há em ti, ó pequena criatura!
Pois, quando passa,
dá-nos o ar da graça -
tanta é a alegria que flui do seu grande coração!"

[Klaus Udo Froese de Matos]











______________________________________


Du bist einer der wichtigsten Menschen für mich
Ich wünsche allen das Beste für dich!!!!
Ich liebe dich, "Mutter" 100000000000000000000 Küsse!!!!! \o/
SAP: você é uma das pessoas mais importantes pra mim
eu desejo tudo de bom para você
Eu te amo "mamãe" 100000000000000000000 beijos!!!!!!!! uhules!!!!!

[Arthur Fernandes]

sábado, 8 de maio de 2010

Confissões




Toda flor tem o seu valor lacônico
Mais não a minha flor
Sublime no corriqueiro, amável no seu cômico
A seu lado, eu? Um consternador?

Ela é uma rosa
Livre em seu jardim e só bela ali,
Kyrie! Faça que eu possa
Esquecer sem lembrar, que tudo passe por aqui

Que esse meu sonho heliocêntrico
A procura do sol
Não seja uma tortura ao lençol
Nem niilismo transpareça no meu cântico

Tão lúcido parece-me esse desalento kafkiano
Metamorfoseando de grego a romano,
A supremacia do meu âmago desatina
Deseja agora qualquer felicidade clandestina que impeça o pensamento

Provo então a droga mais proeminente
Incompreensivelmente supera os efeitos de qualquer ópio
Desagregando todo sentido saliente,
Depois do efeito, despedaço-me a procura do meu coio.


E no final de decisões incongruentes
Palavras não dirão quanto lhe gosto,
Mas que atrás de todos os olhares carentes
Desabrocha um novo propósito,
[você tornou-se uma pessoa especial para mim.


Maycon SmashH

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Felicidade




Descobri que entre o sonho e a realidade existe um lugar chamado felicidade. O sonho, algo que nunca devemos alcançar, permanece no horizonte nunca sendo alcançado, para que continuemos sonhando. A realidade é tão dura que, por apenas viver nela, nos torna tão duros quanto. A felicidade repousa um pé em cada um destes mundos. É lá onde os sonhos se misturam com a realidade e a realidade com os sonhos, e foi nela que achei meu lugar...


Texto e fotografia de Renan Coelho.

domingo, 28 de março de 2010




Imagina-se que a felicidade plena e o sentimento de realização são alcançados na conquista de um bom emprego, na conclusão dos estudos, no privilégio de ser sorteado na loteria, no sucesso de um romance ou na tão esperada chegada da maioridade e com ela todos os benefícios e responsabilidades. Imagina-se que para viver bem é preciso morar, vestir e aparentemente sempre bem estar. Imagina-se também que um bom corpo revela uma boa saúde. Que um belo carro revela poder. Que a profissão revela a dedicação. Que o modo de pensar revela a forma de agir. Que as fortes amizades nunca irão partir. Que os pais podem até se decepcionar, mas nunca nos abandonar. Que o seu namorado não vai te trair. Que as férias vão sempre nos distrair. Que o dia da colheita sempre demora a chegar. Que remédios vão nos fazer melhorar. Que a educação é o segredo da boa convivência. Mas que o desrespeito pode trazer graves consequências. Imagina-se que no olhar transmitimos todos os pensamentos. Que um belo momento nunca cai no esquecimento. Que a simplicidade nos enriquece, nos deixa cheios de bons sentimentos. Que as perguntas nem sempre tem respostas. Que coincidências existem. Que surpresas nem sempre são surpreendentes.

Imagina-se que racismo é crueldade e democracia reflete as opiniões em sua pluralidade. Que se preservarmos o ambiente nossos filhos conhecerão uma rica diversidade. Imagina-se que nossos filhos não terão filhos. Que xenofobia também é exclusão. Que a violência é fruto da rejeição. Que bons exemplos devem ser seguidos. Que a perseverança é a chave do progresso. Mas a insistência deve caminhar ao lado do bom senso. Imagina-se que “e-mails” jamais terão o poder de substituir uma carta. Que atração está mais ligada à beleza e à conquista. Que quem é do inverno se perde no verão. Que as fotografias revelam sempre os bons momentos. É que o intervalo entre cada fato é o tempo necessário para sofrer, lutar e vencer as dificuldades. Imagina-se que os programas sensacionalistas tem maior audiência. Que comer “fast foods” nos prejudica, se for com frequência. Que quando se faz uma boa ação não se espera recompensa. Que cachorros são leais e gatos são interesseiros. Que precisamos de diversão, mas não o dia inteiro. Que um diálogo vale mais que uma atitude de desespero. Que há como ser feliz sem esbanjar dinheiro. Que cantar alivia a alma e os que estão ao redor sentem a calma.

Imagina-se que se expressar é um desafio. Que para seguir um ritmo é preciso coordenação. Que um sorriso sutil merece atenção. Que aniversários vem e vão, e a idade nos prende às formalidades. Que nos casamos por afeição e com comprometimento, e não por impulso ou compaixão. Imagina-se que perdoar é ser forte. Que a deficiência no coração reflete uma sociedade com má formação. Que entrar na universidade reflete maturidade. Que as músicas que ouvimos fazem parte da personalidade. Imaginamos, deduzimos e inventamos tudo, sempre. Mas seria alguém capaz de renunciar o seu tempo para dedicar-se ao agradecimento? Por mais imagináveis e existentes que sejam as coisas, nem tudo é real. Nesse mundo passageiro em que o poder e a boa fama são protagonistas de uma novela temporária, o que realmente deveria ser valorizado torna-se um objeto sem valor material. Aqui vai a crítica, aqui fica o protesto. Se você não acredita dificilmente terá sucesso.

Imagina-se que a religião está ligada à crença. Que seus familiares nem sempre parecem ter o mesmo sangue. Que algumas pessoas nos fazem felizes apenas com sua presença. Para entender não é preciso ver e muito menos aceitar: ela, sem pedir licença para entrar, vai crescendo em sua vida, crescendo com você. Independente de todas as suas imaginações e de todas as suas expectativas ela te fortalecerá, se deixar a porta aberta, sutilmente vai entrar. Na sua humilde grandiosidade ela nos faz enxergar o invisível, abraçar o impossível, não ter medo do imprevisível. Muitos nunca sentiram, outros desistiram de regá-la. Triste. Se ela pudesse mais fortemente se manifestar... e se manifesta. Mas poderia assustar. Independente do que precisa, ela te permite sonhar. Independente do seu sonho, ela te permite planejar. Independente dos imprevistos, ela te faz se adaptar. Sei que em mim ela é inabalável. Ela é a ponte, a estrada, o caminho que nos leva ao Império, ao ponto fraco do Sultão. Posso às vezes fraquejar, mas em minha vida ela vai sempre reinar.


Ana Carolina Chin

quarta-feira, 17 de março de 2010

Epitáfio...



Quando Perguntarem, em que tempo eu vivi...
Digam que eu vivi num período áureo deste lugar...
Digam que eu vivi quando um historiador baixinho colocava todos a gritar como loucos...
Digam que copiei sua saudação...
Digam que eu vivi num tempo em que advogados pirados tocavam Elvis antes de transmitir conhecimento...
Digam que eu vivi num período em que nos questionávamos se sim... Ou... não-sim!
Numa época em que O Coito não era lido por nada...
E que arrotar ou chamar os filhos das damas da vida para aula era normal...
Se a gente “sêsse” da concorrência... “nois errava”... “mas como nois num sêmo...”
Era um “Boa tarde aí”... Era uma piada referente a raios e trovões, digo... diâmetros...
Digam que vivi numa época em que todos ouviam um matemático ficar sem voz para saudar a todos...
Quando perguntarem, digam que naquele tempo, cantávamos ao som de madeira...
Digam que naquele tempo, matemática era ensinada com comida de feira...
Naquela época, não importava o que acontecia... acreditávamos...
Digam que convivi com os maiores...
Digam que aprendi com os melhores...
Digam que eu nasci quando duas estrelas azuis brilharam nos céus...
Digam que morri quando seu brilho acabou...



Jedielson Nakonieczni

segunda-feira, 15 de março de 2010

Faça




Faça hoje, faça amanhã, faça aqui ou lá, mas faça com paixão e do seu próprio jeito. Ouse.

Math

domingo, 14 de março de 2010

Aprazível






Em tempos de guerra o que melhor seria?
Esperar o tempo passar em uma triste monotonia
Ou esquecer as preocupações com as mais belas companhias
E com precaução nos divertir em uma trilha?

Um paraíso que nos revela a imensidão
Descobrir do topo do morro uma linda visão
Enfrentar minha insignificância, sem descrição
Nesse mundo de diferenças, indiferenças; lá não há divisão.

Paraíso modesto; perdido na reflexão fico só a observar
No universo infinito da Natureza até consigo mergulhar
A você faço um convite, já que não vivenciei melhor aventura
A menos que me proporcione outra saudável aventura.


(Ana Carolina Chin)

sexta-feira, 12 de março de 2010

Eu lembro de você






Quando eu penso em você, tudo começa a florescer
E na minha cabeça, vem sempre a mesma lembrança
Tudo que se foi, tudo que passamos juntos
Vai ficar pra sempre, na minha memória.

Eu lembro de você, você me faz querer
Me faz querer viver, tudo aquilo que já foi
E eu me lembro, daquele seu olhar
Que me fazia, por dias viajar

Toda vez ,que eu tento te esquecer
Eu olho para trás e lembro de você
Porque as coisas, tem que ser assim
Tudo é tão fácil e difícil pra mim

Eu lembro de você, você me faz querer
Me faz querer viver, tudo aquilo que já foi
E eu me lembro, daquele seu olhar
Que me fazia, por dias viajar

Ás vezes nada mais tem sentido
Eu não sei o que acontece comigo
Faria tudo pra ti ter
Porque a minha vida é você




E
É você



Felipe Pistori Tomazetti

Ao seu lado




Às vezes me pergunto, para onde ir?
Existe lugar no mundo que alguém me faça sorrir?
Mas só quando estou olhando para o céu ali parado
Vejo que tudo que eu preciso é estar ao seu lado.

Felipe Pistori Tomazetti

sexta-feira, 5 de março de 2010

Feliz aniversário









Venha, meu bem, vamos ver o pôr-do-sol. Pra eu te dizer: Feliz aniversário!





segunda-feira, 1 de março de 2010

Garota das nuvens




Quando olha para cima
A alegria contagia,
Alegria de criança
Traz também a esperança

De que as nuvens durem
E não se misturem
Com as feitas aqui em baixo,
Que as fazem chorar ácido

Busca lugares altos
Esperando compensar com saltos
A distância que a separa
Daquela com formato de arara

Deseja abraçá-la mesmo que não dê,
Mas sabe que a nuvem a abraça
Quando desce se chamando Neblina.
Abraça ela e seu Ipê.


Desenho e Poema: Rogério Andrade

Bem-te-vi




Ao ver este bem-te-vi,
lembro-me dos parques, das tardes,
onde primeiro te vi;
o teu olhar, nunca esqueci.

Como voa sozinho,
sem olhar para trás;
que falta que você me faz.

Voa, neste céu azul,
que já foi da primavera;
veja, a solidão que me espera.

Vai, sem se preocupar,
se um dia vai ter que voltar...
E meu coração vai com ela:
Adeus, Emanuelle.


Klaus Udo Froese Matos

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eu, obra contemporânea.



Para você, eu quero ser assim. Para você, eu quero ser eu mesma, quero ser o meu eu, o meu melhor. Uma discrição explícita.

Todas as pessoas são obras de arte normais, obras que quando analisamos é ao acaso. Quando se dá um zoom nessas obras, no entanto, enxerga-se um mundo de cores, de possibilidades, de histórias, de alegrias, de afinidades, de sentimentos, de sofrimento, de merecimento. Todos são assim: um entre milhões na multidão. Pra nos certificarmos disso basta nos lembrarmos de quantas almas já passaram, literalmente, pela nossa vida, quantas pessoas já nos deram um meio sorriso em convite a um possível encontro de almas e ignoramos ou fingimos não entender. Muitas. Mas eu sei, julgamos de saída as possíveis passagens efêmeras e sempre esperamos as coisas mais duradouras, mais solidas, mais concretas. Há muito tempo estamos nos escondendo, abstratos, daquelas obras que só se enxerga depois de muito olhar, de muito sentir. Por isso, talvez, nos vemos cada vez mais sozinhos, mais ausentes do mundo real, escondidos atrás de embalagens indiferentes, opacas e medrosas. E da mesma maneira que não enxergamos ninguém também não somos enxergados e, assim, a vida continua em um mar de pessoas que não se percebem nessa dimensão, cada um cria a sua mentalmente e acredita nela. E, por isso, acredito que todas as pessoas, sem exceção, têm um coração bom, uma alma bonita, um sorriso nos lábios ao acordar se tiverem uma chance de mostrarem o seu eu, o seu melhor. Escrevendo isso estou contradizendo os meus conceitos de que somos legais ou não; mas agora eu sei, as pessoas dividem-se em dois grupos: as pessoas que são analisadas como um todo e àquelas pessoas que olhamos de relance. Ser feliz com outra pessoa então é conseqüência dos acasos, coincidências ou mera sorte!!? Ah, isso eu não sei, mas tenho certeza de uma coisa... somos, sem sombra de dúvidas, o conjunto de todas as nossas escolhas. Todos os dias decidimos se vamos acordar com bom humor ou se teremos um dia desagradável, decidimos se vamos sorrir para o mundo ou se vamos estar em outra dimensão sozinhos. A vida é assim: um conjunto de ESCOLHAS. E escolhemos como o mundo nos verá, como seremos, decidimos através desse conjunto de escolhas a nossa vida. Tornamos-nos uma obra de arte, algumas simples, outras complexas, algumas fáceis de discernir, outras uma obra que se precisa parar para analisar, ou caso contrário enxergaremos apenas uma embalagem indiferente, opaca e medrosa. Somos todos assim: contemporâneos demais.

Mas, ainda assim, para você, eu quero ser assim: uma obra contemporânea. Aquela que você só vai conhecer, entender e sentir se parar e sentar para analisar, parar pra devolver o meio sorriso de ‘Oi!’ Parar, principalmente, para reconhecer os sentimentos explicitados por trás de tamanha discrição. Parar para notar que há muita coisa por trás de uma frase, um sorriso, um gesto.


J.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Eutanásia




Na simplicidade de minhas palavras,
fico surpresa com a indiferença
transmitida pelo ser humano.
Indiferença com tudo e qualquer coisa,
com nada, muita coisa.

Convém expressar e, futuramente, advogar:
o planeta água afunda em suas grandezas
isento da arte de argumentar;
o desprezo humano afoga suas belezas.

Ana Carolina Chin . 20/02/2009

Pretensão



E se possível fosse,
com a sutileza dos sorrisos
colorir todos os sonhos
com a doçura dos olhares
transmitir mais que desejos.

pra ser um mundo de ruídos,
que não ouço
pra ser um mundo de sons,
que não compartilho
pra ser um mundo de cores,
que observo.


Ana Carolina Chin . 15/11/2009

ae-le





Para onde vai leva consigo a música
e essa maré mansa, que me revela ser a esperança.

Ana Carolina Chin (para Felipe Tomazetti . 08/02/2009)

ah, o paraíso!



Há tempos me perguntava: onde fica o paraíso?
É possível encontrar os mais sinceros sorrisos?
A solução para os meus questionamentos encontrei
O melhor lugar do mundo será sempre com vocês.

Ana Carolina Chin . 29/11/2009

Arte de sentimento




Partindo da idéia de que ignorar os fatos também é uma forma de resolver os problemas que a vida nos impõe, concluímos que nem todos pensam ser o mais adequado enfrentar as dificuldades. Esquecê-las, fingir que não existem?! É uma saída. Não para mim, pois nessa tese pode haver, no futuro, uma recaída. Convencional. Portanto, direto ao assunto, enfrentar as derrotas. É bonito ver alguém sofrer, vemos o que muitos preferem esconder, um momento sentimental em que as atitudes e palavras são jogadas ao vento, sem culpa, como o choro de uma criança sem carinho fraternal, inundada de receios em lágrimas e tristeza inocente, natural. Não que tal sofrimento deva durar anos, fixar-se no coração da vítima como quem amou, perdeu e reconquistou. A dor não pode ser permanente, ela deve ser tratada como um estado de espírito. Não que eu saiba muito bem lidar com tal tristeza, me sinto fraco, deixo-me levar pelos sentimentos e com eles vai o pouco de uma pouca beleza. Sei que o tempo nos amadurece, nos faz ficar forte, nos presenteia com um “kit” de sobrevivência, traz de volta a beleza, nos deixa cheios de experiências. Mas de que adianta pensar no futuro, tentar transmitir paz e aos olhos alheios ser forte, se não mais tenho o bem que você me faz? Um escritor precisa de um leitor, um programa de televisão precisa de audiência, a minha esperança é rica na perseverança! Sendo assim, o sofrer precisa de tempo, o tempo exige paciência, esta está ligada ao bom senso, tudo muito cativante em uma amizade, que vai além das qualidades, é um oceano diante do tamanho das descrições, que vai além de qualquer realidade. Portanto, uma opção. Não que a dor seja opcional, ela é um fato! No entanto, o que mais nos machuca nessa arte de sentimento não é o sofrer, não é o instante do sofrimento, e sim a incerteza de não conhecer o seu fim, de não poder prever quando será o término dessa redundante dor, que nos enfraquece. No futuro, me fortalece.

Ana Carolina Chin . 09/02/2009

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

;




Se minha inspiração for você, por dias viajarei e escreverei como quem ama.


Felipe Pistori Tomazetti

...



Pudera ter dito sim, ter corrido o risco, ter atirado no escuro e, pudera eu, ter seguido o meu coração. Desejamos piamente o dia em que seremos plenamente felizes, o dia em que encontraremos o amor e ele nos encontrará... O momento em que tudo virará sonho, que deixará de ser realidade. O que, no entanto, não esperamos é a volúpia desse tal amor. A força desse sentimento. As peculiaridades. Ele aquece a alma, nos faz sorrir sem motivo e ver a vida cor-de-rosa, nos faz ver o sonho como algo físico e acreditar na magia, fazer coisas que contrariam os conceitos racionais, faz o tempo parar, mas (ainda assim) consegue transformar uma semana em uma vida inteira, um dia no infinito e o infinito em um único momento.
Ninguém nos ensina que para amar é necessário ter coragem, coragem de acreditar nos sonhos, na magia e no irreal. Coragem para se doar e acreditar. Coragem para sentir, coragem para falar, coragem para ser verdadeiro e para tratar o outro como melhor amigo. Coragem para ter coragem de amar sem se sentir ‘démodé’. Coragem de saber que você vai se apegar ao outro, que ele se tornará a pessoa mais importante da sua vida, o seu primeiro e último pensamento todos os dias. Coragem para aceitar que os seres humanos jamais seriam ímpares e sim um conjunto de pares. Coragem é ter coragem de amar sem esperar reciprocidade... Coragem é aceitar que o amor é um equilíbrio entre a razão e o sonho, um complemento de almas. Como um encontro: um encontro de histórias, de princípios, de valores, de sonhos, de objetivos. Uma harmonia.
E o mais bonito é que você sabe na hora quando é amor. É um elo que enxerga-se logo de saída, como mágica. E mesmo desejando o amor com a própria vida quando ele aparece de repente algumas pessoas ficam sem chão, sem nenhuma base. Chega junto o medo, medo de perder, medo de sofrer, sem saber que esse medo é parte indispensável da felicidade plena, sem saber que pra amar é necessário sofrer às vezes, para saber o valor de cada alegria. Mas principalmente o medo de escrever e dizer coisas que só os Poetas entendem e sentem. Então, você descobre que amar é se transformar em poesia, mesmo sendo prosa. E aí, depois de tudo isso, você vê o tamanho da sua coragem. No caso das pessoas que não tem coragem o bastante restará à lembrança de tão doces e, agora, até irreais momentos, pudera nós viver esse sonho eternamente, compartilhar as frases peculiares todos os dias... Mas o mundo é composto, na sua maioria, de pessoas fracas, medrosas e sem a força proveniente dos ‘Poetas da Alma’. Há outras pessoas, no entanto, que agarram o amor e não deixa escapar nem por um segundo, essas atingem a felicidade plena, conhecem os segredos do amor, vivenciam e se deliciam com tão belo sentimento. Pudera eu ter escutado o meu coração e estar entre essa classe seleta de pessoas, num mundo de sonhos e fantasias onde falar coisas com o olhar, sentir com o coração e abraçar com a alma são ‘coisas’ cotidianas...

J.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Estações




Bom seria a escolha: ser adulto, ser adolescente. Como um teste, ser aprovado nos dois momentos. Adolescentes estão num eterno verão. Vivos! Adultos não sabem o que querem, afinal não sonham mais como antes. São conformados, ou são obrigados a tornarem-se conformados. As alegrias não são mais tão alegres, as tristezas não são mais tão tristes. Tudo diminui, menos os problemas. Eles constroem um muro, uma barreira que os separa da terra do nunca, dos sonhos. Deveria ser lei crescer e amadurecer, mas de forma que fizesse com que os sonhos crescessem proporcionalmente. A vida é um teatro, com início, meio e fim. O desfecho pode ser o que se esperava ser, e também pode ser surpreendente. A maioria das personagens preferem um desfecho calculado, já esperado, previsto. Dessa forma não precisam se preocupar, já estão preparados, já estão bem armados como se fosse uma guerra
Viver pode não ser uma guerra, mas sim uma mistura de sons e momentos. Uma música! Uma bateria ou uma harpa. Os contrastes. Jovens em constante mudança de humor, em constante influência dos ambientes e das situações. Jovens sonhadores, criativos, fortes, fracos, racionais, emotivos. Jovens que controlam os sentimentos. Quando querem. Os jovens, as baquetas. A vida, a bateria. Eles estão no controle, conduzem a vida no próprio ritmo. A harpa é companheira dos adultos, que parecem ter medo do novo, da descoberta já que construíram uma barreira para se proteger da vida por ter agora outra mentalidade, por ter acumulado experiências, por medo de ser jovem outra vez.
Apresenta-se então as estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. A primeira é a fase da infância, dominada pelos deslumbramentos de uma criança. Os adultos estão entre o outono e o inverno, e claro, nada mais adequado aos adolescentes que o verão. O próprio.
A época do ano em que tudo é permitido, ou melhor, a estação em que os adolescentes se permitem tudo fazer. São livres. Jovens identificam-se com essa época do ano justamente por estarem dentro de uma vida de férias. Férias internas assim como é o verão. Sentimentos intensos, algumas vezes sinceros, romances de verão, amizades de verão, experiências de verão. Quando crescem, grande parte dessa fase cai no esquecimento. Sobram algumas poucas amizades e muitas experiências. Só mesmo um adolescente para ter forças e vontade de viver num intenso verão com o som da bateria ao fundo.
Adultos, frios e racionais, nem sempre vivendo o que sonharam viver (quando ainda sonhavam intensamente), estão entre o outono e o inverno, oscilam entre os dois: conformados. Ou acostumados. É bonito ser adulto. Afinal o inverno é charmoso, é tranqüilo e principalmente discreto! O verão é vulgar, escandaliza seus viventes e provoca sentimentos demais, como uma ilusão.
O perfeito seria a junção do inverno com o verão, porém o resultado não poderia ficar parecido com a primavera ou com o outono. Seria o equilíbrio, uma mistura com ingredientes na medida certa, controlados. Os sonhos não mais seriam inversamente proporcionais à idade e surgiria a perfeição. No entanto, a perfeição além de ser exigente é monótona! É perfeito, não tem graça. É ilusório, não tem graça. Não tem conserto, não tem o que consertar. Por isso vivemos todas as etapas, gostamos de músicas diferentes em épocas diferentes, vivemos todas as etapas, gostamos de músicas diferentes em épocas diferentes, vivemos todas as estações. É um ciclo. Basta saber como se sairá em cada estação, se será aprovado para passar para a próxima etapa. Aliás, devemos ser aprovados? Dependemos de tal aprovação? Como fazer o julgamento se já está ou não apto para evoluir para uma próxima estação?
É a vida!

Ana Carolina Chin

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

CHUVA



O improvável apesar de muito me interessar; justamente por causar surpresas, instiga uma agonia inconstante, uma espera interminável, um suspense que me atrai! Uma espera deliciosamente saborosa quando se é o alvo e incontrolável desejo quando o alvo é a vontade! Há algum tempo, quando ainda talvez não *era[fosse]* perceptível, me fez um pedido. Pudera eu dizer sim. Mas a vida dá voltas, e esse pedido ainda há de se repetir enfim...
Esse é o mistério, o meu mistério. Não é apatia, é controle. Não é disfarce, é sintonia. O meu suspense pode em nada te interessar, mas esse seu olhar... A minha aparência pode não chamar sua atenção, mas não é a única arma da sedução. O que eu não vejo, o que eu não sei é o que me enlouquece, os seus pensamentos. E, apesar da minha discrição, as dúvidas soam ao vento, não para serem ouvidas ou respondidas, mas para se transformarem em saídas. É o meu jeito de desejar, a discrição. É o meu refúgio e proteção, a discrição.
Se me olha não te vejo. Me ignora. Te desejo. E um dia ainda te encontro. Um dia você ainda me encontra para sermos um sonho; uma chuva frontal!

Ana Carolina Chin
09.10.09