quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Ela

Ela sonhava em encontrar, esperava ser compreendida sem se explicar. Só queria deitar na grama e olhar para o céu. Contemplava agora o pôr- do- sol, estava triste.

Indagava-se sobre sua existência, mesmo sabendo que ficaria louca. Sim, ela era um agente; se descobriu, era o seu fim.
- Não sei, apenas sinto.
As flores que via, já não eram como antes, nem o batom vermelho.
-Não sei, apenas sinto - repetiu. Isso era forte.
-Por quê? Por quê?- se indagava.
Era mais forte que ela, não poderia evitar. Ou poderia? Não queria.
-Como era boba – pensava. Para que querer ver além do que não existe?
Nada era real, tudo não passava de ilusão, doce ilusão passageira. Em nada acreditava, mas se iludia, era o seu fim. Ela era um paradoxo, não podia se esconder atrás de seus grandes olhos.
Por que palavras a tocavam tanto?
Aquele cubista foi o vento. O vento que mudou a flor.

-Pare, pare com isso, não saber era a sua continuação. São essas borboletas que percorrem a sua mente. Isso a destrói, isso a liberta.


Texto: Gessica Rocha

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Lembranças

Ali, sentada num banco úmido ela se pergunta:
- será que foi um sonho? Será que estive dormindo durante todo esse tempo, e, agora, acordei?
Não
Não.
Não fora sonho
Ela queria acreditar que fora um sonho, mas eu sei que não foi.
As gotas de chuva em seu rosto não poderiam trazer lembranças de sonhos...
A lembrança de uma tarde e que guarda-chuvas foram ignorados e a mágica aconteceu sob a chuva.
Sim, foi real. Ela não sonhara.
E por mais que ela negasse a si mesma que tudo não passava de um sonho, no fundo ela também sabia - assim como eu - que fora real. Todas as suas lembranças.






Haverá um dia em que todas estas coisas serão apenas lembranças. Lembranças que misturaram-se a sonhos e que tornaram-se impossíveis de distinguir o sonho da lembrança.


Textos: Fran Canestraro
Fotografia: Renan Coelho