Não há nada mais inseguro que a certeza de viver. Mas essa já é uma teoria que não posso comprovar, pois tenho lá minhas dúvidas, fraquezas e experiências que não me permitem usar uma bússola que aponte exatamente para a direção certa a se seguir. Bom, nada disso faz sentido também, porque quanto mais se luta para alcançar os sonhos e objetivos, mais sonhos e objetivos se têm, aliás, maiores são os obstáculos também. Ainda assim, sempre temos o humilde e até instigante desejo de saborear as novidades do mundo com a mesma expressão maravilhada com que uma criança descobre seu poder de tato!
A partir desse momento surgem as dúvidas, as renúncias, os combates internos. Afinal, a criança deixa de ser infantil e ingênua conforme suas descobertas tornam-se incessantes, viciantes, tranquilizadoras até. E quão maravilhoso é o momento do descobrimento. Adrenalina, sentimento de competência. O sangue parece querer saltar das veias, momento substancial. Momento seu. Invento. Sorriso tímido e incontido, olhos atentos. Coração descompassado, turbulento. Consequências das pequenas descobertas, das grandes descobertas. Descobrimento de uma música, de um defeito próprio, de um gosto antes irrelevante. A insegurança sempre está presente, mas o nível agora perto da linha do zero. É a descoberta de uma banda, do preço acessível daquele instrumento tão desejado, de uma língua estrangeira.
Fraquezas são esquecidas, por um instante. Prevalecem os sentimentos isentos de desalento. Tudo por causa da descoberta de um novo caminho, uma direção, um rumo em que não estaremos sozinhos. Tudo por causa da descoberta de um novo amigo, ou da redescoberta de um velho amigo! As experiências vividas já não são suficientes, não completam as exigências do futuro, do agora. O céu cinzento se deixa levar pela dança das nuvens. É a descoberta do arco-íris, das fontes e trilhas secretas. O coração bate forte, é o melhor momento da canção e os olhos lentamente se fecham para melhor absorver a melodia, o sonho começa. É tarde e o sol começa a se pôr, é a descoberta de um sentimento rico, complexo e renovador. Sem nome, sem sobrenome, só sentimento. O campo todo decorado com árvores e pequenas flores coloridas, agora se perde na escuridão da noite iluminado pela beleza da lua cheia, os olhos se abrem, mas ainda se sonha. É o descobrimento de um mundo ilusionista, incompreensível e que não espera seu retorno, a queda foi sua. Levante, é a força da realidade.
Texto: Ana Carolina Chin (26/08/2010)
Fotografias: Felipe Santana Pereira



Sempre tão viva, tão perspicaz. Fala, com sua alma, para outra alma. Tão presente. Poeta da vida e do cotidiano.
ResponderExcluirUm momento singelo é o da leitura de seus textos, sem dúvida!