domingo, 21 de fevereiro de 2010

Arte de sentimento




Partindo da idéia de que ignorar os fatos também é uma forma de resolver os problemas que a vida nos impõe, concluímos que nem todos pensam ser o mais adequado enfrentar as dificuldades. Esquecê-las, fingir que não existem?! É uma saída. Não para mim, pois nessa tese pode haver, no futuro, uma recaída. Convencional. Portanto, direto ao assunto, enfrentar as derrotas. É bonito ver alguém sofrer, vemos o que muitos preferem esconder, um momento sentimental em que as atitudes e palavras são jogadas ao vento, sem culpa, como o choro de uma criança sem carinho fraternal, inundada de receios em lágrimas e tristeza inocente, natural. Não que tal sofrimento deva durar anos, fixar-se no coração da vítima como quem amou, perdeu e reconquistou. A dor não pode ser permanente, ela deve ser tratada como um estado de espírito. Não que eu saiba muito bem lidar com tal tristeza, me sinto fraco, deixo-me levar pelos sentimentos e com eles vai o pouco de uma pouca beleza. Sei que o tempo nos amadurece, nos faz ficar forte, nos presenteia com um “kit” de sobrevivência, traz de volta a beleza, nos deixa cheios de experiências. Mas de que adianta pensar no futuro, tentar transmitir paz e aos olhos alheios ser forte, se não mais tenho o bem que você me faz? Um escritor precisa de um leitor, um programa de televisão precisa de audiência, a minha esperança é rica na perseverança! Sendo assim, o sofrer precisa de tempo, o tempo exige paciência, esta está ligada ao bom senso, tudo muito cativante em uma amizade, que vai além das qualidades, é um oceano diante do tamanho das descrições, que vai além de qualquer realidade. Portanto, uma opção. Não que a dor seja opcional, ela é um fato! No entanto, o que mais nos machuca nessa arte de sentimento não é o sofrer, não é o instante do sofrimento, e sim a incerteza de não conhecer o seu fim, de não poder prever quando será o término dessa redundante dor, que nos enfraquece. No futuro, me fortalece.

Ana Carolina Chin . 09/02/2009

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