sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Eu, obra contemporânea.



Para você, eu quero ser assim. Para você, eu quero ser eu mesma, quero ser o meu eu, o meu melhor. Uma discrição explícita.

Todas as pessoas são obras de arte normais, obras que quando analisamos é ao acaso. Quando se dá um zoom nessas obras, no entanto, enxerga-se um mundo de cores, de possibilidades, de histórias, de alegrias, de afinidades, de sentimentos, de sofrimento, de merecimento. Todos são assim: um entre milhões na multidão. Pra nos certificarmos disso basta nos lembrarmos de quantas almas já passaram, literalmente, pela nossa vida, quantas pessoas já nos deram um meio sorriso em convite a um possível encontro de almas e ignoramos ou fingimos não entender. Muitas. Mas eu sei, julgamos de saída as possíveis passagens efêmeras e sempre esperamos as coisas mais duradouras, mais solidas, mais concretas. Há muito tempo estamos nos escondendo, abstratos, daquelas obras que só se enxerga depois de muito olhar, de muito sentir. Por isso, talvez, nos vemos cada vez mais sozinhos, mais ausentes do mundo real, escondidos atrás de embalagens indiferentes, opacas e medrosas. E da mesma maneira que não enxergamos ninguém também não somos enxergados e, assim, a vida continua em um mar de pessoas que não se percebem nessa dimensão, cada um cria a sua mentalmente e acredita nela. E, por isso, acredito que todas as pessoas, sem exceção, têm um coração bom, uma alma bonita, um sorriso nos lábios ao acordar se tiverem uma chance de mostrarem o seu eu, o seu melhor. Escrevendo isso estou contradizendo os meus conceitos de que somos legais ou não; mas agora eu sei, as pessoas dividem-se em dois grupos: as pessoas que são analisadas como um todo e àquelas pessoas que olhamos de relance. Ser feliz com outra pessoa então é conseqüência dos acasos, coincidências ou mera sorte!!? Ah, isso eu não sei, mas tenho certeza de uma coisa... somos, sem sombra de dúvidas, o conjunto de todas as nossas escolhas. Todos os dias decidimos se vamos acordar com bom humor ou se teremos um dia desagradável, decidimos se vamos sorrir para o mundo ou se vamos estar em outra dimensão sozinhos. A vida é assim: um conjunto de ESCOLHAS. E escolhemos como o mundo nos verá, como seremos, decidimos através desse conjunto de escolhas a nossa vida. Tornamos-nos uma obra de arte, algumas simples, outras complexas, algumas fáceis de discernir, outras uma obra que se precisa parar para analisar, ou caso contrário enxergaremos apenas uma embalagem indiferente, opaca e medrosa. Somos todos assim: contemporâneos demais.

Mas, ainda assim, para você, eu quero ser assim: uma obra contemporânea. Aquela que você só vai conhecer, entender e sentir se parar e sentar para analisar, parar pra devolver o meio sorriso de ‘Oi!’ Parar, principalmente, para reconhecer os sentimentos explicitados por trás de tamanha discrição. Parar para notar que há muita coisa por trás de uma frase, um sorriso, um gesto.


J.

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