
É incrível como são confusos e ao mesmo tempo decididamente precisos os caminhos que a vida nos faz seguir. Por vezes pensamos com maturidade, planejamos com responsabilidade e, no entanto, na hora da ação somos ingênuos, nos contradizemos. Assim somos esta é a limitação da humanidade. Por outro lado, algumas vezes nos surpreendemos com nossas próprias decisões não pensadas, instintivas, impulsivas e por que não desesperadas?! Somos traídos pelos sentidos que nos levam, sobretudo, a atitudes incontidas, guardadas inconscientemente. Sendo assim, somos vítimas de nossas próprias situações, somos o experimento da nossa descoberta, o resultado de uma indeterminação.
Já que há de se falar sobre os caminhos tomados pela vida, há de se mencionar também as pontes que nos mantêm neles. Estas que, não importa se o rumo é agradável, irrelevante ou opressor, elas estão sempre à disposição, subalternas às nossas escolhas, nos ligando, nos mantendo e por nós sobrevivendo. Como, pois, não focalizar toda a atenção aos relacionamentos, já que são estes os que fazem as pontes da vida, que nos levam aos caminhos e consequentemente às mudanças de postura?! Não entendo e paradoxalmente, compreendo, pois paralelamente vivencio. A partir do momento em que nossas atitudes atraem bons relacionamentos passamos a enxergar a essência do que é viver: ser um viajante com uma boa companhia é, sem dúvidas, melhor que ser um turista solitário.
Portanto, se no meu caminho houver apenas flores, bem viverei. Se, no entanto, houver pedregulhos a estes me dedicarei. Contudo, se no meu caminho houver pessoas, as mais variadas, a elas me adaptarei! Não é questão de influência ou diferença, mas de doação e necessidade. Se você tem uma família, se você tem amigos, se você namora, se você trabalha, se você tem um cachorro, se você tem uma alma, se você tem uma casa, se você caminha, se você tem gostos, se você estuda, se você tem manias, se você questiona, se você se permite, se você se protege, se você descansa, se você não desiste se na luta resiste e na dificuldade sempre persiste. Se você é humano, meu amigo, você se relaciona. Mesmo animais, objetos, natureza em geral, neles também há relacionamento. Vê como tudo gira em torno das relações?
Quando essa geração finalmente perceber a importância das nossas atitudes para traçarmos um caminho e, junto com outras pessoas enriquecermos por meio dos relacionamentos estas caminhadas, seremos completos. Não que ainda não sejamos, pois nascemos inteiros, portanto completos, mas quão indescritível é e sempre será o compartilhamento de tão bela plenitude. E se ainda existe o direito ao desejo quero evidenciar o mais utópico, porém consistente: a realização do dia em que não mais haverá hierarquia. Pois com ela nossos relacionamentos passam a ter validade, passam a ter leis e regras que devem ser seguidas e perdem seu real sentido. A hierarquia imposta como ditadura, sem escolhas, só aceitação é o motivo de existirem relacionamentos com início promissor, mas com desenvolvimento sem crescimento conjunto e recíproco; e com conclusões isentas de felicitações.
Nas relações não precisam existir divisões, níveis diferentes de importância, subordinação, patriotismo, humilhação. Qualquer que seja o relacionamento, de amizade, de negócios, casamento, coleguismo ou companheirismo, em todos o que prevalece é a doação. Se você não cria expectativas e sim prontidão, evitará desapontamentos e vai crescer o sentimento de compreensão alheia. Sendo assim, não haveria mais a tão desgastada hierarquia nos relacionamentos, já que eles existiriam por si só, sem qualquer camada de poder, sem nenhuma cadeia de comando. Já que se deve viver, assim quero caminhar. Quando passamos a compreender o real sentido de nossos relacionamentos interpessoais, a simples convivência torna-se um incrível acontecimento, a beleza do bem-estar dirige os pensamentos, os dias passam mais lentos!
Ana Carolina Chin

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