
Bom seria a escolha: ser adulto, ser adolescente. Como um teste, ser aprovado nos dois momentos. Adolescentes estão num eterno verão. Vivos! Adultos não sabem o que querem, afinal não sonham mais como antes. São conformados, ou são obrigados a tornarem-se conformados. As alegrias não são mais tão alegres, as tristezas não são mais tão tristes. Tudo diminui, menos os problemas. Eles constroem um muro, uma barreira que os separa da terra do nunca, dos sonhos. Deveria ser lei crescer e amadurecer, mas de forma que fizesse com que os sonhos crescessem proporcionalmente. A vida é um teatro, com início, meio e fim. O desfecho pode ser o que se esperava ser, e também pode ser surpreendente. A maioria das personagens preferem um desfecho calculado, já esperado, previsto. Dessa forma não precisam se preocupar, já estão preparados, já estão bem armados como se fosse uma guerra
Viver pode não ser uma guerra, mas sim uma mistura de sons e momentos. Uma música! Uma bateria ou uma harpa. Os contrastes. Jovens em constante mudança de humor, em constante influência dos ambientes e das situações. Jovens sonhadores, criativos, fortes, fracos, racionais, emotivos. Jovens que controlam os sentimentos. Quando querem. Os jovens, as baquetas. A vida, a bateria. Eles estão no controle, conduzem a vida no próprio ritmo. A harpa é companheira dos adultos, que parecem ter medo do novo, da descoberta já que construíram uma barreira para se proteger da vida por ter agora outra mentalidade, por ter acumulado experiências, por medo de ser jovem outra vez.
Apresenta-se então as estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. A primeira é a fase da infância, dominada pelos deslumbramentos de uma criança. Os adultos estão entre o outono e o inverno, e claro, nada mais adequado aos adolescentes que o verão. O próprio.
A época do ano em que tudo é permitido, ou melhor, a estação em que os adolescentes se permitem tudo fazer. São livres. Jovens identificam-se com essa época do ano justamente por estarem dentro de uma vida de férias. Férias internas assim como é o verão. Sentimentos intensos, algumas vezes sinceros, romances de verão, amizades de verão, experiências de verão. Quando crescem, grande parte dessa fase cai no esquecimento. Sobram algumas poucas amizades e muitas experiências. Só mesmo um adolescente para ter forças e vontade de viver num intenso verão com o som da bateria ao fundo.
Adultos, frios e racionais, nem sempre vivendo o que sonharam viver (quando ainda sonhavam intensamente), estão entre o outono e o inverno, oscilam entre os dois: conformados. Ou acostumados. É bonito ser adulto. Afinal o inverno é charmoso, é tranqüilo e principalmente discreto! O verão é vulgar, escandaliza seus viventes e provoca sentimentos demais, como uma ilusão.
O perfeito seria a junção do inverno com o verão, porém o resultado não poderia ficar parecido com a primavera ou com o outono. Seria o equilíbrio, uma mistura com ingredientes na medida certa, controlados. Os sonhos não mais seriam inversamente proporcionais à idade e surgiria a perfeição. No entanto, a perfeição além de ser exigente é monótona! É perfeito, não tem graça. É ilusório, não tem graça. Não tem conserto, não tem o que consertar. Por isso vivemos todas as etapas, gostamos de músicas diferentes em épocas diferentes, vivemos todas as etapas, gostamos de músicas diferentes em épocas diferentes, vivemos todas as estações. É um ciclo. Basta saber como se sairá em cada estação, se será aprovado para passar para a próxima etapa. Aliás, devemos ser aprovados? Dependemos de tal aprovação? Como fazer o julgamento se já está ou não apto para evoluir para uma próxima estação?
É a vida!
Ana Carolina Chin

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ResponderExcluirMeninaa fofa! Que felicidadee!
ResponderExcluirVocê é demais nas fotos, mas você já sabe disso!
E não poderia me dar melhor presente que publicar meus textos associados às suas imagens, que são simplesmente deslumbrantes.
Eternamente grata, minha leitora fiel :)
EU AMO VOCÊ'
Opa, há mais um leitor aqui! :)
ResponderExcluirBelo post, achei legal a idéia de relacionar a idade com as estações do ano, com certeza é melhor que adolescência ou meia-idade (e mais natural, literalmente. rs). Não sei ao certo se já passei por essa prova, mas acho que uma pessoa é capaz de selecionar o que mais lhe agrada em uma estação e levá-la para a próxima.
A Chin é incrível com as palavras, é quase uma relação de amor, uma cumplicidade mútua.
ResponderExcluirA minha relação com as palavras é como a intimidade e interação da Ju com as fotografias!
ResponderExcluirlindo lindo ana!!!!!
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